Pré-candidato à presidência Augusto Cury visita ACSP e apresenta proposta do governo
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- há 4 dias
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Convite partiu da presidente do Conselho da Mulher e da Cultura (CMEC), Ana Claudia Badra Cotait, que também participou do encontro

O psiquiatra, escritor e pré-candidato à presidência pelo Avante, Augusto Cury, esteve em evento promovido pelo Conselho Político e Social da Associação Comercial de São Paulo (COPS/ACSP), na segunda-feira (18/05), na sede da ACSP, onde apresentou a palestra "O Brasil dos Nossos Sonhos". O convite foi feito pela presidente do Conselho da Mulher e da Cultura (CMEC), Ana Claudia Badra Cotait.
O encontro integrou o Ciclo de Debates com pré-candidatos à Presidência e ao Governo de São Paulo promovido pelo COPS/ACSP, que já recebeu Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo). O COPS reúne ex-vice-presidentes, ex-ministros e ex-governadores entre seus conselheiros e se dedica a debater temas de abrangência nacional.
“Precisamos trabalhar para a construção de um novo momento para o Brasil, com representantes verdadeiramente comprometidos com quem produz, empreende, gera emprego e sustenta o desenvolvimento econômico do país”, pontuou o líder do associativismo Alfredo Cotait, que também está à frente da CACB e da Facesp.
Também integraram a mesa o ex-senador e coordenador do Conselho Político e Social da ACSP, Heráclito Fortes; o secretário Extraordinário de Projetos Estratégicos do Governo do Estado de São Paulo e ex-presidente da ACSP, Guilherme Afif Domingos; e o vice-presidente da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo e da Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil, Roberto Mateus Ordine.

Importância das mulheres
Na ocasião, Ana Claudia falou a respeito das dificuldades enfrentadas pelas mulheres no mercado de trabalho e como empreendedoras. “É importante olharmos para os juros mais altos que as mulheres pagam, em cerca de 4% a mais ao mês (em comparação com que os homens pagam). Hoje, em São Paulo, está tendo uma greve de professores e eles precisam ser bem remunerados. A maioria no mercado de professores é mulher que dedica sua vida, tem sua casa, mas estão lá, ensinando. Precisamos de cursos técnicos para elas, que são a economia do nosso país. Não deixe as mulheres fora do seu radar, por favor”, lembrou Ana Claudia.
O pré-candidato destacou a importância da valorização feminina para o desenvolvimento social e econômico do país. “As mulheres precisam ser valorizadas, respeitadas e fortalecidas. Uma sociedade equilibrada depende diretamente da valorização feminina”, declarou.
Cury apresentou uma proposta para que seja desenvolvido um aplicativo que pode salvar mulheres do feminicídio. “Será um botão do pânico que, ao ser acionado pela mulher em perigo, a delegacia mais próxima recebe o pedido e imediatamente atende. É uma forma de salvar vidas femininas”.
Polarização, democracia e reconstrução do diálogo
Ao longo da palestra Augusto Cury concentrou boa parte de sua exposição na defesa da redução da polarização política e na necessidade de reconstrução do diálogo nacional. Para ele, o ambiente político brasileiro se tornou excessivamente hostil e emocionalmente desgastante. “O representante político foi eleito para servir à sociedade, não para dividi-la”, observou.
Cury criticou os extremos ideológicos e defendeu uma política baseada em projetos, não em ataques pessoais. “Os extremos se alimentam mutuamente. A extrema direita precisa da extrema esquerda para justificar sua radicalização. A extrema esquerda precisa da extrema direita para manter seu próprio discurso radical”, comentou.
Em um dos trechos mais enfatizados do encontro, o pré-candidato sustentou que o país precisa superar divisões políticas e construir um projeto coletivo. “Não estamos em dois barcos, um da direita e outro da esquerda. Estamos em um único barco chamado Brasil. E, se ele afundar, afundaremos todos juntos”, destacou.
Ao analisar o cenário político nacional, Augusto Cury acrescentou que projetos de perpetuação no poder fazem mal à democracia e contribuem para o agravamento da polarização e defendeu alternância democrática e renovação institucional. “A perpetuação no poder faz mal para qualquer democracia, independentemente de quem esteja governando”, avaliou.
Na sequência, argumentou que o país precisa voltar a discutir projetos estruturais de longo prazo, acima de interesses eleitorais e disputas personalistas. “O Brasil precisa ser maior do que projetos pessoais, partidários ou de poder”, frisou.
Reforma do STF, voto distrital e pacto federativo
Cury defendeu que haja maior equidade de gênero no STF, com mais nomeações de mulheres.
Ao tratar do funcionamento das instituições, Augusto Cury defendeu uma ampla reforma no Supremo Tribunal Federal (STF), dizendo que o país precisa discutir mecanismos de renovação e maior equilíbrio entre os Poderes.
Segundo ele, ministros da Corte deveriam deixar de ter cargos vitalícios e passar a cumprir mandatos temporários, com escolha mais técnica e menos politizada. “Defendo mandatos de oito anos para ministros do Supremo, sem recondução, e que as próprias classes jurídicas participem mais ativamente da escolha dos integrantes da Corte”, explicou.
Cury argumentou que mudanças institucionais devem buscar previsibilidade, segurança jurídica e fortalecimento democrático, evitando excessiva concentração de poder em qualquer esfera institucional.
O pré-candidato também defendeu a adoção do voto distrital misto como forma de aproximar representantes políticos das demandas locais e ampliar a conexão entre parlamentares e comunidades.
Segundo ele, o modelo atual muitas vezes distancia o cidadão da representação política e dificulta a fiscalização popular. “O eleitor precisa saber quem representa sua região, sua comunidade e seus problemas concretos”, ressaltou. Na avaliação dele, o fortalecimento das bases locais poderia ampliar a participação popular e tornar o debate político menos distante da realidade cotidiana da população.
Outro ponto defendido pelo psiquiatra foi a revisão do pacto federativo, com maior descentralização de recursos e fortalecimento financeiro de estados e municípios. “O Brasil é grande demais para continuar excessivamente concentrado em Brasília. Estados e municípios precisam ter mais autonomia para enfrentar seus próprios desafios”, argumentou.
Para Cury, regiões vulneráveis e cidades periféricas precisam ter maior capacidade de investimento em infraestrutura, educação, saúde e segurança pública.
Crédito, juros e defesa do pequeno empreendedor
Na área econômica, Augusto Cury defendeu maior apoio ao empreendedorismo, ampliação do crédito produtivo e redução do custo financeiro para empresas e famílias. Ele disse que o ambiente econômico atual penaliza especialmente comerciantes, pequenos empresários e produtores rurais. “O pequeno e médio empresário brasileiro, muitas vezes, trabalha apenas para sobreviver. E isso é incompatível com um país que quer crescer”, observou.
Cury também criticou os juros elevados e o impacto do endividamento sobre famílias e empresas. “Precisamos de um ambiente onde o crédito sirva para construir crescimento, não para aprisionar pessoas e empresas”, analisou.
O pré-candidato defendeu ainda uma “economia distribuída”, baseada no fortalecimento de micro e pequenas empresas, cooperativismo e empreendedorismo regionalizado.

Inteligência artificial, educação técnica e futuro do trabalho
Outro eixo central da palestra foi a transformação do mercado de trabalho diante da inteligência artificial e da automação. Augusto Cury alertou que o Brasil precisa acelerar investimentos em educação técnica, inovação e formação profissional. “A inteligência artificial não é algo do futuro. Ela já está entre nós”, salientou.
Segundo ele, o país ainda possui um modelo educacional excessivamente teórico e pouco conectado às demandas da nova economia. “Precisamos formar técnicos, gestores e profissionais preparados para a nova economia: tecnologia, saúde, gestão, logística, agro, indústria, comércio e inovação.”
Cury também propôs a criação de milhares de escolas de empreendedorismo em comunidades, periferias e pequenas cidades como forma de ampliar a inclusão produtiva e preparar jovens para as mudanças tecnológicas.
Segundo o pré-candidato, o país precisa ensinar crianças e adolescentes a lidar com ansiedade, frustração, medo e conflitos humanos desde cedo. “Precisamos ensinar o ser humano a compreender a própria mente”, disse.
O escritor também defendeu maior presença de programas de inteligência emocional nas escolas, empresas e espaços públicos. “Não existe prosperidade sustentável sem saúde mental”, reforçou.
Segurança pública, guardas municipais e sistema prisional
Na área de segurança pública, Augusto Cury argumentou que o enfrentamento da violência exige presença do Estado, prevenção e maior integração social nas comunidades.
O pré-candidato defendeu a ampliação da atuação das guardas municipais e sugeriu a criação de comitês sociais de segurança e orientação emocional — chamados por ele de “comitês SEO” — voltados à aproximação entre poder público, escolas, famílias e comunidades vulneráveis.
“Não basta apenas combater o crime organizado. Precisamos combater também a desorganização social e emocional que muitas vezes antecede a violência”, ponderou.
Segundo ele, guardas municipais podem exercer papel importante na proteção urbana e na prevenção de conflitos locais, especialmente em parceria com ações sociais, educacionais e comunitárias. “As guardas municipais podem ajudar muito na prevenção, na proximidade com a população e na construção de ambientes mais seguros”, acrescentou.
Ao comentar o sistema carcerário brasileiro, Cury avaliou que o país enfrenta um modelo prisional desorganizado e pouco eficiente na recuperação social. “O Brasil aprisiona muito e aprisiona mal”, criticou.
Segundo ele, o sistema penitenciário precisa incorporar educação, profissionalização, apoio psicológico e reinserção produtiva para reduzir reincidência criminal e enfraquecer o crime organizado. “Quando o sistema apenas aprisiona sem recuperar, ele frequentemente devolve à sociedade pessoas ainda mais fragilizadas e vulneráveis ao crime”, alertou.
Saúde mental, juventude e relações humanas
Na parte final do encontro, o psiquiatra abordou os impactos emocionais da hiperconectividade, da ansiedade e da sobrecarga digital sobre crianças, adolescentes e adultos. “Vivemos uma era de intoxicação digital”, refletiu.
Cury chamou atenção para o crescimento de problemas emocionais entre jovens e defendeu que a saúde mental passe a ocupar posição mais estratégica nas políticas públicas. “Não existe desenvolvimento econômico consistente em uma população emocionalmente adoecida”, enfatizou.
O pré-candidato mencionou propostas ligadas à chamada “Lei Augusto Cury”, defendendo que crianças de zero a doze anos tenham acompanhamento anual especializado como forma de identificar precocemente sinais de sofrimento emocional, violência doméstica, abuso sexual, ansiedade e outros transtornos psíquicos. “Precisamos ensinar o ser humano a compreender a própria mente”, disse.
Encerramento
No encerramento, Augusto Cury voltou a defender uma política baseada em propostas e diálogo. “Precisamos de uma política de projetos, não de ataques pessoais”, afirmou.
Ao agradecer a recepção da Associação Comercial de São Paulo e dos integrantes do Conselho Político e Social, reforçou a necessidade de construção de um projeto nacional voltado ao futuro.
“O Brasil pode ser extraordinário, mas depende da nossa capacidade de pensar menos em interesses individuais e mais em um projeto de país” e concluiu “bem-vindos ao Brasil dos nossos sonhos: 100% de projetos e 0% de ataques pessoais”.
Escritor e psiquiatra
Augusto Cury é médico psiquiatra, escritor, pesquisador e palestrante brasileiro. Tornou-se conhecido nacional e internacionalmente por escrever livros voltados à psicologia, educação e desenvolvimento humano, com obras publicadas em mais de 70 de países e 30 milhões de exemplares vendidos.
Criador da chamada Teoria da Inteligência Multifocal, desenvolveu trabalhos voltados à gestão da emoção, relações humanas e formação de líderes e educadores. Ao longo da carreira, também atuou em conferências sobre saúde mental, educação e qualidade de vida. Em abril deste ano, passou a integrar o cenário político nacional como pré-candidato à Presidência da República pelo Avante.
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