O que aprendi com as mulheres da Índia: lições sobre tradição e força empreendedora
Caminhar pelas ruas da Índia é uma experiência que desperta os sentidos de forma imediata. O ar carrega o aroma constante de especiarias, o som do trânsito caótico se mistura às conversas em vários dialetos e o olhar do visitante é inevitavelmente capturado pela explosão de cores dos saris que cortam a paisagem. E, por trás desses tons vivos, é impossível não notar a presença inabalável das mulheres indianas.


Ao observar a rotina dessas mulheres durante minha viagem para participação no BRICS WBA Women-Led Development Summit 2026, em Nova Délhi, percebi que a beleza dos tecidos e dos bordados manuais vai muito além da estética. Ela é a expressão de uma economia mantida por mãos femininas.
Em cada mercado local ou pequena cooperativa comunitária, vi mulheres que transformam técnicas seculares de artesanato em sustento familiar, liderando verdadeiras economias de sobrevivência e tradição com uma dignidade profunda.
A força que habita na comunidade
Uma das lições mais marcantes da cultura indiana é o senso de comunidade. As mulheres não empreendem sós. Elas se sentam juntas para fiar, tingir, trançar e criar. Existe uma rede invisível de apoio mútuo onde a técnica é passada de geração a geração, garantindo que a renda circule e proteja todo o grupo.


Essa dinâmica comunitária me fez viajar imediatamente de volta ao Brasil. Guardadas as devidas distâncias geográficas e culturais, a essência da mulher indiana é exatamente a mesma da mulher brasileira. Ao redor do Brasil, nas feiras de artesanato e nos polos de comércio, aqui também as mulheres empreendem pela família, movida pelo desejo de crescimento profissional, financeiro e pessoal.

A independência como linguagem universal
A busca por autonomia financeira não exige tradução. Seja em Nova Déli ou em São Paulo, quando uma mulher conquista o controle do seu próprio dinheiro, ela transforma a realidade ao seu redor. A valorização do saber local e o respeito à própria história são ferramentas poderosas de emancipação.
Voltei da Índia reafirmando uma certeza que guia meu trabalho no CMEC: o empreendedorismo feminino não é apenas um indicador econômico, é um movimento de liberdade feminina. A determinação das mulheres indianas em preservar suas raízes enquanto constroem seus caminhos nos lembra que a nossa força é universal, e que quando apoiamos o trabalho de uma mulher, estamos alimentando o futuro de toda uma sociedade.



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